Além de vizinhos em Porto Alegre, alguns de nós éramos vizinhos em Tramandai. O consulado do Copa concentrava-se na Rua Riachuelo, lateral da Sociedade de Amigos de Tramandai – SAT, unindo a Paissandu de Cima e a Tobias de Baixo.
Na esquina da Riachuelo com a Avenida Ubatuba de Farias, morávamos os Ulrich: Arturito, Nancy e quatro filhas. Além das festas da SAT, que só passei a freqüentar depois dos 14 anos, tínhamos o mar com o “footing” das garotas, onde Vanise e Carmem Maria caminhavam como deusas. Para mim, pirralha desengonçada, elas eram um ideal inatingível de beleza. Também havia a piscina da SAT, os longos passeios de bicicleta, os papos preguiçosos nas redes, sem faltar, é claro, as serenatas, que rapazes menos assustados com a fama de pai furioso do Arturito faziam junto à nossas janelas, recebendo em retribuição alguma bebida para esquentar (as noites na praia podiam ser frias) e um papo bem levado do Arturito e Nancy com seus quitutes, com as meninas “candidamente” postadas nas janelas!
Na esquina seguinte veraneava a família Lima: Dr.Bento e esposa, Bentinho, Eunice e Flávio. Era uma família muito simpática e acolhedora.
A meia quadra de distância, moravam os Bocaccio, uma família de muitas mulheres: Nora, Lúcia, Memeis, Meieno e, cerrando a fila como exceção à regra, Xyko, como ele mesmo se assina.
Mais adiante, cruzando a avenida que ia dar no mar, na mesma Riachuelo, tinham casa Vó Santinha, o casal Lunardi e Vanise e Hermínio (Minho), seus filhos. Vó Santinha era a matriarca da turma da Tobias de Baixo e dela saíam os ramos Lunardi, Bocaccio e Lima, todos primos entre si.
Com o casamento da Nora Bocaccio com o professor Cinel, colega de faculdade e de magistério do Sérgio Teixeira, marido da Carmem Maria, minha mana, estreitaram-se os laços de amizade das duas famílias, que perduram até hoje.
O Flávio e o Minho eram meus amigos mais próximos na rua. Flávio entrava no bloco da nossa rua, com algumas escapadas nas turnês do bloco oficial da SAT à outras praias.
Vim a encontrar o Hermínio tempos depois através de amigos comuns, que adoravam organizar reuniões nas quais os participantes contribuíam com seus dotes musicais.
Quando obtive permissão para freqüentar bailes e reuniões dançantes da SAT, nossa turma ficava responsável de vez em quando pela “ambientação” da festa com temas como: Havaí, Velho Oeste tipo cow-boy, etc... Fizemos até decoração de um carnaval que ficou ótima, com a direção dos trabalhos entregue ao Flávio Lima, que a esta altura já era estudante de Arquitetura. Acho que os papos com o Flávio e com o professor Lunardi acabaram influenciando a escolha de minha profissão e, em 1973, recebi o diploma das mãos do querido Prof. Lunardi, então diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS.
Autor: LENORA ULRICH
Nenhum comentário:
Postar um comentário