Taí óh, prezado Carlos Ari, nunca tinha pensado a Tobias em territórios, seria dividida, na verdade, pelas faixas etárias?
A pracinha, se bem me lembro, era campo neutro, onde as peladas eram mais quentes, pois os – agora - da “Tobias de Baixo”, jogavam com os “estranhos” – gurizada que descia o morro -, em jogadas mais disputadas, já que estávamos jogando “fora de casa”. No “nosso campinho” as peladas entre o América e o Perigoso (que só eram interrompidas quando escurecia, pois não se enxergava mais a bola!!!) eram jogos com fardamento e muitas vezes até com torcida - campinho próprio é outra coisa!! -. Então, a turma da “Tobias de Baixo” era formada, na ordem, descendo a rua e da nossa faixa de idade (os de cima já eram coroas para nós): Nelsinho Abrahão (primo do Beto), Vitor Hugo Aita (irmão da Suzete), José Francisco Braga (irmão da Vera e Ligia), Gil Meira (o laçador de carro – está estória fica para depois), Raul e Milton Abrahão, Bileco Tonin ( irmão da Suzana), Xyko Bocaccio (irmão da Nóra, Lúcia, Memeis e Meieno) , Marco Aurélio dos Santos irmão da Valéria, Bento José e Flávio Lima (irmãos da Eunice, meus primos), Beto e seu irmão Luis Antonio Grassi . Este elenco formava dois times: os seis primeiros vestiam as camisetas do América (dono do campinho), e do Perigoso os demais (cujos treinos eram feitos na rua e as goleiras eram os portões da casa do tio Bento e da minha). Na faixa dos menores – os “pirralhos” - lembro do Eduardo Pilla, Luis Pedro e Carlos Alberto.
Nossos passeios de bicicleta incluíam até a pracinha, Martin Bromberg, Paissandú ou, com mais aventura, descer a Humberto de Campos – então de chão batido – lomba abaixo, de braços abertos, SEM SEGURAR O “GUIDON” DA BICICLETA, até a PETISQUEIRA - era o máximo!!
Cara Lenora! Quanto às fogueiras: ahá!!, na “Tobias de Baixo” também se faziam fogueiras, entre outras tantas traquinagens - idos de 1955–60. As mesmas eram manufaturadas no meio da rua em frente ao terreno baldio (na verdade o terreno era do Seu LILITO pai do Beto, do Puchuca (Raul) e do Mito (Milton) - entre a casa do Beto Turco e a do Ivo Tonin pai do Bileco (Luis Alberto). A estrutura da fogueira era formada por um tronco de árvore ou caibro mantidos em pé por um colar de pneus velhos (como um rocambole) cuidadosa e criteriosamente selecionados para serem empilhados e imolados em ordem cronológica de seus diâmetros mantendo assim o equilíbrio da massa de galhos, tábuas e jornais que os circundavam formando um “complexo emaranhado equivalente a um prédio de dois a três andares (sem cobertura) que arderia como o fogo do inferno, enquanto as fagulhas subiam aos céus, iluminando toda a Tobias Barreto. Era a consagração das muitas horas de busca e apreensão do material que era recolhido de casa em casa. Não tinha amendoim, não; o que pipocavam eram as bombas e bombinhas, rojões e busca-pés e, o auge da emoção, com muita adrenalina, era soltar os “rojões enlatados” (prendia-se a bomba dentro de uma lata e calçava com o pé – que loucura), especialidade do José Francisco Braga. Nota: ninguém perdeu o pé!!, só se perdia o juízo, mas era bom!!! Só terminava após pular a fogueira, mais outra manobra de risco!! Era a prova de coragem !! (risos).
Quanto ao subir nas árvores, na Tobias “entre a Pracinha e a Bento”, passávamos muitos momentos comendo caquis e goiabas (com bichinho e tudo) sentados nos galhos e ainda saboreávamos, coquinhos, pitangas e butiás (que estômago! ) no pátio da 71.
E as gincanas de Carrinho de lomba!! (os bólidos eram de confecção caseira, artesanal em madeira e com rodas de rolimã (rolamentos) rodas maiores no eixo traseiro, fixo, e com diâmetro menor no eixo móvel dianteiro; os mais sofisticados tinham freio de mão, caso contrário, não tinha sola de sapato ou do “guides” (hoje conhecido como tênis) que resistisse.
Imagem meramente ilustrativa, réplica do modelo de época
As competições eram feitas em duplas, individuais ou em comboios com até três carrinhos e os circuitos eram traçados, delineados pelos labirintos lajeados do pátio da 71, de acordo com o grau de dificuldade de cada prova; e a competição só encerrava quando não se enxergava mais o trajeto e terminavam as tardes de sábado.
Mas nem tudo era paz!!? E as “batalhas” eram entre o acampamento do campinho e o instalado no fundo do quintal da 71. As barracas montadas, com quase nada dentro, e o arsenal de pedras prontas para serem projetadas por cima dos muros. Coitados dos telhados. E a estratégia era atacar, ou pela rua, ou pelos fundos, escalando os muros, sobre os quais corríamos com habilidade impar!! Era lícito também o uso e porte de “funda, bodoque, estilingue” (para as gurias entenderem: é uma forquilha de madeira ou metal - modelo mais sofisticado – com tira de borracha, geralmente confeccionada com câmara de pneu de carro, já que a de bicicleta era muito frágil, sem poder de fogo) com a qual eram lançadas as bolinhas de cinamomo que recheavam os bolsos dos calções, que naquele tempo iam quase até os joelhos!
Imagem meramente ilustrativa, réplica do modelo de época
Como para nos redimirmos das malvadezas, criávamos pombos correios (símbolos da paz) e suas revoadas enfeitavam e “bosteavam” os telhados e arredores. Eram enviados, após exaustivos treinamentos, de trem para São Paulo e de lá, soltos, levavam dois a três dias para chegarem cansados e famintos em seus pombais. Espetacular!! Façanha nossa ou dos pombos?
Alguém lembra dos irmãos chineses ( era um casal) que eram muito altos e desciam a Tobias de patins com toda a destreza e muita habilidade??
Não perca no “AMACORD 2”, a guerra com escudos e bolas de meia e algumas dos bondes “gaiola”.
Quem sabe juntando todas estas crônicas e estórias da nossa infância/mocidade, não sai um livro - CRÔNICAS do COPA - dedicado às crianças carentes do Partenon !! É só uma idéia!! O que acham??
Saudações e abraços aos amigos do COPA
Autor: Xyko Bocaccio


Parabéns pela bela cronica, Xyko Bocaccio! Já vi que a Turma de Baixo possui um bom memorialista. Lenora lembra que nas fogueiras da Paissandu também havia rojões dentro de latas,armados principalmente pelo terrorista Deco, para desespero do Arturito e de outros preocupados pais. Nossas boas vindas aos teus primos Bento e Flávio Lima.
ResponderExcluirAbraços da Lenora e do Carlos Ari