Coordenadas dos Amigos Contatados

Coordenadas dos Amigos Contatados
Esta é a relação oficial e final dos amigos encontrados, e seus pares, visando a Festa do COPA 50 Anos Depois
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domingo, 13 de junho de 2010

AMACORD 1

Taí óh, prezado Carlos Ari, nunca tinha pensado a Tobias em territórios, seria dividida, na verdade, pelas faixas etárias?
A pracinha, se bem me lembro, era campo neutro, onde as peladas eram mais quentes, pois os – agora - da “Tobias de Baixo”, jogavam com os “estranhos” – gurizada que descia o morro -, em jogadas mais disputadas, já que estávamos jogando “fora de casa”. No “nosso campinho” as peladas entre o América e o Perigoso (que só eram interrompidas quando escurecia, pois não se enxergava mais a bola!!!) eram jogos com fardamento e muitas vezes até com torcida - campinho próprio é outra coisa!! -. Então, a turma da “Tobias de Baixo” era formada, na ordem, descendo a rua e da nossa faixa de idade (os de cima já eram coroas para nós): Nelsinho Abrahão (primo do Beto), Vitor Hugo Aita (irmão da Suzete), José Francisco Braga (irmão da Vera e Ligia), Gil Meira (o laçador de carro – está estória fica para depois), Raul e Milton Abrahão, Bileco Tonin ( irmão da Suzana), Xyko Bocaccio (irmão da Nóra, Lúcia, Memeis e Meieno) , Marco Aurélio dos Santos irmão da Valéria, Bento José e Flávio Lima (irmãos da Eunice, meus primos), Beto e seu irmão Luis Antonio Grassi . Este elenco formava dois times: os seis primeiros vestiam as camisetas do América (dono do campinho), e do Perigoso os demais (cujos treinos eram feitos na rua e as goleiras eram os portões da casa do tio Bento e da minha). Na faixa dos menores – os “pirralhos” - lembro do Eduardo Pilla, Luis Pedro e Carlos Alberto.
Nossos passeios de bicicleta incluíam até a pracinha, Martin Bromberg, Paissandú ou, com mais aventura, descer a Humberto de Campos – então de chão batido – lomba abaixo, de braços abertos, SEM SEGURAR O “GUIDON” DA BICICLETA, até a PETISQUEIRA - era o máximo!!
Cara Lenora! Quanto às fogueiras: ahá!!, na “Tobias de Baixo” também se faziam fogueiras, entre outras tantas traquinagens - idos de 1955–60. As mesmas eram manufaturadas no meio da rua em frente ao terreno baldio (na verdade o terreno era do Seu LILITO pai do Beto, do Puchuca (Raul) e do Mito (Milton) - entre a casa do Beto Turco e a do Ivo Tonin pai do Bileco (Luis Alberto). A estrutura da fogueira era formada por um tronco de árvore ou caibro mantidos em pé por um colar de pneus velhos (como um rocambole) cuidadosa e criteriosamente selecionados para serem empilhados e imolados em ordem cronológica de seus diâmetros mantendo assim o equilíbrio da massa de galhos, tábuas e jornais que os circundavam formando um “complexo emaranhado equivalente a um prédio de dois a três andares (sem cobertura) que arderia como o fogo do inferno, enquanto as fagulhas subiam aos céus, iluminando toda a Tobias Barreto. Era a consagração das muitas horas de busca e apreensão do material que era recolhido de casa em casa. Não tinha amendoim, não; o que pipocavam eram as bombas e bombinhas, rojões e busca-pés e, o auge da emoção, com muita adrenalina, era soltar os “rojões enlatados” (prendia-se a bomba dentro de uma lata e calçava com o pé – que loucura), especialidade do José Francisco Braga. Nota: ninguém perdeu o pé!!, só se perdia o juízo, mas era bom!!! Só terminava após pular a fogueira, mais outra manobra de risco!! Era a prova de coragem !! (risos).
Quanto ao subir nas árvores, na Tobias “entre a Pracinha e a Bento”, passávamos muitos momentos comendo caquis e goiabas (com bichinho e tudo) sentados nos galhos e ainda saboreávamos, coquinhos, pitangas e butiás (que estômago! ) no pátio da 71.
E as gincanas de Carrinho de lomba!! (os bólidos eram de confecção caseira, artesanal em madeira e com rodas de rolimã (rolamentos) rodas maiores no eixo traseiro, fixo, e com diâmetro menor no eixo móvel dianteiro; os mais sofisticados tinham freio de mão, caso contrário, não tinha sola de sapato ou do “guides” (hoje conhecido como tênis) que resistisse.

Imagem meramente ilustrativa, réplica do modelo de época

As competições eram feitas em duplas, individuais ou em comboios com até três carrinhos e os circuitos eram traçados, delineados pelos labirintos lajeados do pátio da 71, de acordo com o grau de dificuldade de cada prova; e a competição só encerrava quando não se enxergava mais o trajeto e terminavam as tardes de sábado.
Mas nem tudo era paz!!? E as “batalhas” eram entre o acampamento do campinho e o instalado no fundo do quintal da 71. As barracas montadas, com quase nada dentro, e o arsenal de pedras prontas para serem projetadas por cima dos muros. Coitados dos telhados. E a estratégia era atacar, ou pela rua, ou pelos fundos, escalando os muros, sobre os quais corríamos com habilidade impar!! Era lícito também o uso e porte de “funda, bodoque, estilingue” (para as gurias entenderem: é uma forquilha de madeira ou metal - modelo mais sofisticado – com tira de borracha, geralmente confeccionada com câmara de pneu de carro, já que a de bicicleta era muito frágil, sem poder de fogo) com a qual eram lançadas as bolinhas de cinamomo que recheavam os bolsos dos calções, que naquele tempo iam quase até os joelhos!

Imagem meramente ilustrativa, réplica do modelo de época

Como para nos redimirmos das malvadezas, criávamos pombos correios (símbolos da paz) e suas revoadas enfeitavam e “bosteavam” os telhados e arredores. Eram enviados, após exaustivos treinamentos, de trem para São Paulo e de lá, soltos, levavam dois a três dias para chegarem cansados e famintos em seus pombais. Espetacular!! Façanha nossa ou dos pombos?
Alguém lembra dos irmãos chineses ( era um casal) que eram muito altos e desciam a Tobias de patins com toda a destreza e muita habilidade??
Não perca no “AMACORD 2”, a guerra com escudos e bolas de meia e algumas dos bondes “gaiola”.
Quem sabe juntando todas estas crônicas e estórias da nossa infância/mocidade, não sai um livro - CRÔNICAS do COPA - dedicado às crianças carentes do Partenon !! É só uma idéia!! O que acham??
Saudações e abraços aos amigos do COPA

Autor: Xyko Bocaccio

sábado, 12 de junho de 2010

A TRIBO DA TOBIAS DE CIMA - PARTE 1

Há cinqüenta anos, duas tribos habitavam a Rua Tobias Barreto: a "Tobias de Cima" e a "Tobias de Baixo". A fronteira entre as duas era uma linha imaginária que cortava mais ou menos ao meio a Praça Esperanto, que todo mundo chamava mesmo de pracinha. Afirmam alguns antropólogos haver existido ali também uma terceira tribo, a "Tobias do Meio", cujo território abrangia o entorno da pracinha e se estendia ao longo da Rua Martin Bromberg, até os limites da Paissandu. Por se tratar de matéria altamente controvertida, prefiro considerar essa população como integrante da "Tobias de Baixo".
Mesmo tendo vida autônoma, as duas tribos mantinham boas relações, já que os de cima eram frequentemente obrigados a transitar pelo território dos de baixo em seus deslocamentos diários entre seu território e a Avenida Bento Gonçalves, a grande artéria que unia o arrabalde Partenon ao resto do mundo. A pracinha, que tinha dois tanques de água, gangorras e balanços, era limpa e às vezes freqüentada por nós, membros da tribo de cima, embora pudéssemos ser mais facilmente localizados no trecho da rua que ficava situado entre a casa do seu Patta e a do seu Carpes.
O centro de nossa taba era o terreno baldio confinado entre as casas do doutor Guido e a do seu Carlos e da dona Mariazinha. Ali o doutor Guido, italiano grande e calvo, engenheiro ou construtor ― as profissões dos adultos não eram objeto do interesse dos membros da tribo ― construíra um galpão que lhe servia de oficina. A única coisa que sei dele é que era casado com uma ex-cantora lírica italiana, que fez do teto de sua casa um heliponto (isso na década de 1940!) por acreditar que o helicóptero seria o transporte do futuro, que não tinha filhos, que fazia balas de funcho para distribuir entre nós e que morreu subitamente do coração, ao mergulhar numa banheira gelada num dia de intenso calor.
Desmanchado o galpão após a morte do doutor Guido, ficamos donos do terreno. Nossas peladas, antes jogadas com bolas de meia no áspero “gramado” de paralelepípedo da rua, tendo as garagens de portas metálicas por goleiras, agora passaram a ser disputadas em campo decente. A bem da verdade, o tal terreno não era nivelado nem plano. Tinha desníveis, cocurutos, macegas e restos do tal galpão, porém não tinha meio-fio nem paralelepípedo. Jogávamos agora com bola de verdade, e as garagens de nossos pais e os ouvidos da vizinhança eram poupados das freqüentes boladas. Os goleiros eram frangueiros, porque ninguém queria ficar no gol. Quem se revelasse bom “guarda-vala”, passava o jogo todo só levando bolada.
Eram membros permanentes da tribo da "Tobias de Cima": Fernando e Cota Patta, Zenaide Falcão, Dirce Viggevani, Nei e Nelson Azambuja, Carlos Ari e Antonio Carlos Germano da Silva, Antonio Celso Queiroz Prestes, Jane e Jorge Crivelaro, Sohel e Helso Weber de Oliveira, Dilnei, Silnei e Marle Moraes Carpes. Lembro de alguns membros temporários, como Zé Macaco, que participava das peladas de rua; do mais moço dos Pfeiffer (infelizmente não recordo seu primeiro nome), em cuja garagem jogávamos ping-pong; do Juca, que morou na casa geminada com a do Nei e do Nelson; do Pedro, que morou na casa que tinha sido dos Crivelaro. Minhas irmãs Marília e Graça e a irmã mais nova do Dilnei, Marilei Siglia, por serem muito novas estavam numa posição correspondente à categoria “infantis” de um clube de futebol. Nós outros, é claro, éramos “os profissionais”.
Feita a apresentação da “Tribo da Tobias de Cima”, encerro por hoje. Um abraço a todos e até a próxima mini-crônica.

Autor: Carlos Ari