Coordenadas dos Amigos Contatados

Coordenadas dos Amigos Contatados
Esta é a relação oficial e final dos amigos encontrados, e seus pares, visando a Festa do COPA 50 Anos Depois
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

EU TIVE UM SONHO

Eu tive um sonho! E esta é a pequena história deste sonho, um sonho tão perfeito que pareceu ter sido realidade. Foi como se o tivesse vivido. Era palpável, vivo, colorido, emocionante ... E por esta razão, gostaria de contá-lo aos meus amigos.
Sonhei que me veio à cabeça a idéia de organizar um grande encontro com todos os amigos da minha infância e adolescência, passada no bairro do Partenon, em Porto Alegre, entre as ruas Paissandu, Tobias Barreto, Machado de Assis, Veríssimo Rosa e suas transversais, além da Avenida Bento Gonçalves, coletor principal de todas essas artérias tão queridas da nossa memória. Em meu sonho, eu claramente vislumbrava as dificuldades que haveria de encontrar na localização dos amigos remanescentes, no contato com eles e na sua aquiescência em participar do meu sonho; e eu precisava de parceiros que me ajudassem a tocar a empreitada; e temia pela receptividade que teria dos amigos contatados. E tudo era um monte de dúvidas ...
Mas no sonho, o sonho começou a tomar corpo! Um contato aqui, um contato ali e consegui juntar um pequeno grupo de amigos, ainda um pouco incrédulos, que de uma forma ou outra aceitaram participar da nossa aventura. E saímos em busca dos nomes dos nossos antigos, através de uma extensa relação que as nossas mentes ainda conseguiram devolver de um passado longínquo. Um encontro com este grupo num restaurante de Porto Alegre e lá selamos o compromisso de atingir o nosso objetivo, juntar os amigos do passado numa festa que chamar-se-ia: “COPA 50 Anos Depois”, em homenagem ao nosso “Clube Olímpico Porto Alegre”, criado naquela época, fonte de muitas das nossas alegrias e promotor de muitos casamentos entre amigos do bairro e fora dele.
E começamos a realizar os contatos com os amigos de cinqüenta anos atrás. E cada novo telefonema era uma nova preocupação sobre como seríamos recebidos; o amigo iria se lembrar de quem estava falando? Estaria ele disposto a participar de algo assim inusitado depois de cinquenta anos passados? E cada novo telefonema era sempre uma alegria renovada pela alegria do próprio interlocutor que não acreditava com quem estava falando; e aderia incondicionalmente ao convite, como se ele próprio estivesse esperando aquele convite, também por muitos anos.
E a lista dos amigos encontrados crescia e os próprios amigos contatados lembravam-se de novos nomes que nos eram repassados e o processo transformou-se numa cadeia que não mais parecia ter fim. No grupo de discussões especialmente criado para a troca de idéias e as discussões entre os amigos, as mensagens voavam em todas as direções trazendo e levando lembranças que há muito se encontravam olvidadas; e era lindo assistir ao entusiasmo de todos, mandando recados ora divertidos, ora evocativos, mas sempre emocionantes. O blog criado para a festa era o veículo de crônicas emocionadas, sobre acontecimentos passados nas décadas de 50 e 60, em que os autores eram, ora assistentes, ora participantes ou protagonistas principais. Criamos também dois álbuns de fotografias. Num deles eram postadas as fotos do passado e do presente, envolvendo os amigos e suas famílias e eram assim identificados por todos, pouco a pouco. No outro álbum, eram postadas pares de fotos: uma tirada na época da nossa juventude e outra atual, colocadas lado a lado. Com isso, os amigos se identificavam mutuamente, pelas fotos antigas, e ficavam conhecendo as suas aparências atuais. Foram muitas fotos maravilhosas enviadas!
Paralelamente, os preparativos para a festa avançavam. O local foi escolhido com muito cuidado de modo a agradar os amigos de cujo gosto nem mais nos lembrávamos, mas também pensando que o custo possivelmente influiria no atendimento aos convites que seriam enviados, pois não havia como prever e conhecer as condições financeiras de pessoas que não eram vistas há tanto tempo. Os mesmos fatores foram considerados quando se procurou o “buffett” e todos os demais itens que deveriam ser arranjados para a realização da tão almejada festa.
Finalmente, a data foi marcada! 18 de setembro do ano de 2010, seria o dia da realização do encontro dos amigos que não se viam há 50 anos. Muito próxima da entrada da primavera, seria como um novo desabrochar de uma amizade que nascera há muito tempo atrás, mas não morrera, quedando adormecida por vários invernos. E os convites foram enviados a todos os amigos que haviam sido localizados; por e-mail para aqueles que o possuíam, pessoalmente para os que não tinham e pelo correio para aqueles que moravam longe. E a cada nova confirmação de participação à festa, uma nova alegria a todos, pois que dela todos tomavam conhecimento e a ela todos aplaudiam. A alegria tomava conta de todos os participantes, que já se organizavam em mesas de acordo com as suas afinidades e preferências. Alguns sugeriam as companhias com receio de que não fossem ser reconhecidos pelos demais após tanto tempo passado, com a timidez típica da adolescência de 50 anos atrás. E o número de participantes crescia e as pessoas não acreditavam que o número final seria um redondo número 100!
A data tão esperada se aproximava e o nervosismo era visivelmente demonstrado nas manifestações da lista de discussões e nas postagens encaminhadas ao blog para publicação. Amigos de última hora, tão esperados, apresentavam-se quando já ninguém mais cria que eles compareceriam; e eram recebidos com uma alegria enorme que era imediatamente correspondida. A festa era uma certeza!
E o seu dia chegou! Eufóricos estávamos nós, da Comissão Organizadora, e mais eufóricos encontravam-se os amigos que dela participariam, antevendo e antegozando o momento maravilhoso em que voltariam a ver os companheiros de tantos tempos passados. Cedo fomos para o local da festa para a tarefa de decorar o salão. Os balões nas cores verde, preto e branco, as cores do COPA, cheios, começaram a se avolumar e logo foram pendurados em pontos estratégicos do grande salão de baile. As faixas e “banners” alusivos ao evento, nas mesmas cores, foram colocados à entrada principal, no saguão e no salão principal, com dizeres que muito bem espelhavam a amizade que perdurou por 50 anos. Os vasinhos de flores foram colocados sobre as mesas de seis lugares, com as cobertas brancas, onde as cadeiras traziam lindos laços brancos de fita. As luzes indiretas multicoloridas, alto-falantes e demais acessórios eram responsabilidade do DJ, já contratado, que faria a alegria da festa com as músicas cuidadosamente escolhidas por nós, representando todo o espírito da nossa época. Preparamos também uma maravilhosa seleção de “clips” com cantores de nossa época, executando as melodias que tantas vezes dançamos nas reuniões dançantes que o COPA organizava. Tudo estava preparado para a grande noite que viria e pudemos ir às nossas casas, para o merecido descanso que antecederia a festa do reencontro.
Chegamos cedo para os preparativos finais, para garantir que nada faltaria à noite memorável ... E dali para a frente, uma espécie de névoa adentrou o salão inteiro cobrindo todo o espaço disponível e o sonho, finalmente, começou a parecer-se muito mais com um sonho do que com a realidade; e as duas coisas se confundiram; e eu já não sabia mais o que era sonho e o que era realidade. Eu ficava, com outros amigos, na entrada do salão, recebendo os convidados que chegavam e nos quais eram imediatamente colocados os crachás, especialmente confeccionados, para identificá-los mutuamente. Outros amigos tratavam de conduzir os convidados às mesas previamente acordadas, sobre as quais eram colocadas pequenas papeletas indicando que aquela já estava reservada ao grupo que chegara primeiro. No sonho, a responsabilidade do mestre de cerimônias fora entregue à minha filha Cláudia, romântica e sentimental, ao extremo desejosa de conhecer, ao vivo, os amigos que tanto e há tanto tempo conhecia das histórias de seus pais. E, no sonho, foi ela que veio, assustada, me contar - ao mesmo tempo em que pedia socorro -, que uma das amigas encontrava-se chorando, inconsolável, à entrada do saguão, emocionada pela constatação imediata da presença de vários amigos antigos. E ao atendê-la, fiquei também empapado pelas suas lágrimas de alegria. Os convidados faziam jogos de adivinhação escondendo os crachás, como se tivessem, subitamente, retrocedido 50 anos no passado. E os abraços e beijos calorosos se sucediam por todos os cantos do salão, as pessoas não acreditando que estavam encontrando amigos de adolescência, que não viam há cinquenta ou mais anos. Uma coleguinha de primário, no velho Grupo Escolar Otávio Rocha, postou-se à minha frente, bracinhos cruzados, escondendo o crachá e, sorrindo, desafiava a minha memória; alguns segundos foram necessários para que eu reconhecesse, no sorriso alegre, daquela senhora simpática, a minha coleguinha brilhante de primário, então com 10 anos de idade. E foram dezenas de alegrias semelhantes, com o mesmo entusiasmo, na recepção aos convidados. Mas a festa estava apenas começando ...
Assim que acomodados os primeiros participantes em suas mesas, onde raramente poderiam ser encontrados, diga-se de passagem, foi iniciada a exposição dos “clips” e os amigos assistiam, emocionados, à execução das músicas que tanto haviam dançado pelos cantores que tanto sucesso fizeram em nossa época; e desfilavam perante todos, artistas que variavam entre Neil Sedaka, Paul Anka e Billy Cafaro, até Ray Conniff e Starry Night Orchestra. O salão encheu-se total e rapidamente e ninguém parava sentado em sua própria mesa, na ânsia de cumprimentar pessoas que julgavam ter reconhecido ou confessar o seu engano.
Assim que todos os cem convidados se fizeram presente, as luzes foram minimizadas e o nosso amigo Beto Abrahão, da comissão, subiu ao local dos discursos e contou, rapidamente, a história da origem da festa e terminou, como absoluta surpresa, me fazendo uma homenagem, como mentor do encontro. Com a surpresa, convidou-me a subir para dar as boas vindas aos nossos cem queridos amigos. E o sonho tomou conta da minha emoção quando declarei a minha alegria aos amigos presentes, pela homenagem aos amigos já partidos, quando relatei as declarações de amor recebidas, as emoções percebidas nos telefonemas e mensagens trocadas; e quando prestei uma singela homenagem ao Dr. Júlio Bocaccio, idealizador do COPA, e sua esposa, D. Alzirinha. E o meu discurso foi, literalmente, para o espaço: mal pude balbuciar umas poucas palavras e cedi meu lugar a outros oradores, para ir abraçar os amigos com que ainda não havia falado. E pediu a palavra o nosso amigo Nelson Motta, o Curuca, ex presidente e um dos líderes do COPA à época. O Curuca lembrou vários episódios da época, envolvendo pessoas e acontecimentos e lembrando, através de uma gravação, o encerramento pontual e bem comportado das reuniões dançantes do COPA. E após algumas palavras, demonstrou a sua alegria em estar participando da festa e despediu-se visivelmente emocionado.
As luzes foram novamente acesas e fomos todos convidados, pela Mestra de Cerimônias, a participar de um maravilhoso jantar, servido e saboreado ao som das músicas da época, gravadas em CD especial, e iluminado por um “power point” especialmente preparado com todas as fotos – antigas e atuais - que haviam sido enviadas pelos amigos e publicadas em nosso álbum na Internet.
A partir daí, tudo começou, realmente, a ficar muito nebuloso, como um verdadeiro sonho sempre é. Todas as ações começaram a se tornar um pouco irreais. Lembro muito bem de ver as pessoas a se movimentarem pelo salão, buscando reconhecer nas várias mesas os amigos antigos. Era estranho constatar que, mesmo modificados pelos anos acumulados, rapidamente se transformavam, assim que identificados, nos mesmos adolescentes de cinquenta anos atrás, com a mesma forma de agir e de falar, alguns até mesmo com as mesmas brincadeiras de tantos anos passados. Não lembro, exatamente, da minha participação pessoal na festa. Lembro de ter tirado algumas fotos com alguns amigos, sentado em umas poucas mesas para uma rápida conversa com outros; mas nem as fotos foram todas as que eu gostaria de ter tirado, nem as mesas que visitei, uma vez que gostaria de te sentado e conversado com todos os meus amigos. Fiquei devendo a todos no sonho e sonhos não se repetem... Lembro perfeitamente que existiam amigos muito queridos e mais íntimos de nossa época, que gostaríamos muito de ter atendido melhor e não pudemos; sonhos não são sonhados totalmente sob o nosso controle. Lembro também de alguns que, por razões pessoais, tiveram que realizar um enorme esforço para estar presentes em nosso festa, sob a minha insistência até mesmo obstinada e teimosa, e não pude a eles dedicar o tempo que eu gostaria de ter dedicado; sonhos sempre deixam a desejar.
Nada faltou em meu sonho, pois a família Bocaccio, representada pelos filhos Nora, Memeis, Meieno e Xyko e seus pares, preparou-nos uma agradável surpresa, providenciando até mesmo um enorme bolo de aniversário, com as velinhas de 50 anos, maravilhosas, brilhando na penumbra do salão. Nora e Xyko fizeram discursos curtos e emocionados, em que agradeceram as homenagens prestadas a seus pais e demonstraram toda a sua alegria por terem participado da organização e estarem vivenciando a festa. Participei, emocionado, do apagar das velinhas, com os amigos da Comissão e os irmãos Bocaccio. E era tudo uma grande alegria, com todos os amigos aplaudindo, batendo fotos e confraternizando, como numa verdadeira grande reunião de amigos de 50 anos.
E chegou, finalmente, a hora tão esperada do baile dos 50 anos. E abrimos o baile, minha esposa e companheira de uma vida, Lene, e eu, com a alegria e a emoção de ver realizado um tão sonhado, construído e esperado sonho. E juntos, os nossos pares de amigos encheram o salão e dançamos todos embalados pelas vozes dos nossos cantores e orquestras preferidas das décadas de 50 e 60. E o sonho tornou-se um sonho realizado; e a névoa do sonho foi-se tornando mais densa e compacta à medida que o tempo passava e as pessoas iniciavam as suas despedidas; e as figuras conhecidas dos nossos amigos do passado se confundiam com a bruma e se desvaneciam na atmosfera do salão pouco iluminado, sem a realidade da despedida, como num verdadeiro sonho...
Eu tive um sonho, há pouco tempo atrás; e foi tão real ... Como eu gostaria que todos os meus amigos do passado pudessem ter compartilhado do meu sonho ....

quarta-feira, 30 de junho de 2010

REMINISCÊNCIAS

Queridos Selene e Nelson
O bom da vida é mesmo a gente ter a possibilidade de lembrar! É sinal de que ainda estamos bem vivos e, apesar do tempo, muito capazes de pensar e agir com o coração e a mente lúcidos e inteiros!
Melhor, ainda, é sabermos que na terra existem a emoção, o carinho, a amizade, a gentileza e, acima de tudo, muito amor!
Com o amor, vieram as lembranças de um tempo já bem distante, que nos fez, num só golpe de sorte, trocarmos o ontem pelo agora, numa felicidade tão grande que quase nos impede até de termos a certeza de que isto aconteceu!!!!
Cada vez me convenço mais: o ser humano é incrível! Que capacidade tem de amar e de sofrer pelo irmão! Como é capaz de transformar-se, num repente, e pensar: será que eu ainda tenho 22 anos? ou 16? ou 14? ou 24? Essas eram as nossas idades naquele tempo em que a bola corria pela Tobias, pela Paisandú, pela Machado e arredores! Essas eram as idades das meninas "casadoiras" que se achegavam para a mais velha, já casada, para conversinhas nas arquibancadas, fingindo que assistiam aos treinos dos meninos, com os olhinhos espichados para o campinho ou o meio da rua!!!! Tempo muito bom aquele, como muito bom é o de hoje! Afinal, tivemos a chance maior e a felicidade de nos revermos inteiros e com saudade, muita saudade!
Obrigado, queridos Nelson e Selene, pelas horas de lembranças e de amenidades! Quantas memórias, quanta história! Quantos foram esses amores da nossa infância, adolescência e juventude!
Obrigado a vocês pela oportunidade de nos vermos e nos enxergarmos no fundo de nós mesmos, do que fomos e do que somos hoje: retrato fiel do nosso passado e presente que está sendo capaz de nos mostrar que neste mundo existe amizade, afeto, solidariedade e de que, apesar da distância , no coração e na mente existem gavetas recheadas de amor onde sempre se encontra aquilo que aparentemente estaria perdido ou amarelado pelo tempo. Minha querida mãe Alzirinha , dizia muitas vezes que RECORDAR É VIVER!! Então, queridos amigos, estamos bem vivos e cheios de muito boas recordações ! E isto é muito importante e nos faz muito felizes.
Nosso beijo muito carinhoso,
Nora e Cinel

Autor: NORA BOCACCIO CINEL

quinta-feira, 24 de junho de 2010

ANA MARIA LANDELL DE MOURA - APRESENTAÇÃO PESSOAL

Querido Nelson,
Fiquei muito feliz em receber teu telefonema e o carinho que me proporcionaste com tantas lembranças de um tempo maravilhoso, onde convivemos no Partenon da nossa infância e adolescência.
Embora de uma geração um pouquinho mais adiante da de vocês, em sua maioria, relembrei, olhando o Blog e as fotos que postaste, cenas, fotos e pessoas que estavam um pouco adormecidas na minha memória, mas não no meu coração. Soube, assim que eu revi todas as parcelas de histórias referidas por vários de meus queridos amigos e vizinhos do passado, a importância de se buscar, neste presente em que vivemos, um pouco dos nossos sonhos e ideais, e até para fazermos, por assim dizer, um alegre retrospecto de nossas vidas.
A Paissandú nº 284, ainda frequento semanalmente e a casa continua a ter a mesma referência familiar, pois minha mãe Jessie, com 90 anos, ainda mora lá e meu irmão "joãozinho", como carinhosamente o apelidas, também ali reside. Assim continuo geográfica e emocionalmente focada na nossa Paissandú e no nosso Partenon, relembrando, toda vez que por ali circulo, a história de cada casa e da família que ali morou e as marcas que deixaram em todos nós. Por esta circunstãncia ainda convivo com alguns amigos e vizinhos que ali ainda permanecem...assim o distanciamento ficou um pouco mais próximo !
Aproveito este primeiro contato para dar alguns tópicos de minha vida atual, posssiblitando aos amigos de 50 anos atrás me situarem um pouco neste presente.
Me formei em Direito pela PUC, e logo ingressei na carreira de Procurador do Estado do Rio Grande do Sul, por onde me inativei. Estudei em Paris para uma especialização em Direito Público, fui Conselheira da Ordem dos Avogados do Rio Grande do Sul, Diretora Financeira do Instituto dos Advogados e exerci, durante minha vida profissional, varias atividades de assessoramento jurídico em diversas Secretarias e órgãos estatais.
Me casei com um colega da Faculdade de Direito, Frederico Carlos Gomes Neto, de familia oriunda do Menino Deus e colega da Puc, reencontro este que se deu muitos anos depois de nos formarmos. Não tenho filhos e assim meus sobrinhos ficaram neste lugar, juntamente com as netinhas do meu marido.
Atualmente resido no Bairro Petrópolis. E me recordo agora, que muito andei de bicicleta por aqui nos finais de tarde, com Tania e Olenca, que foram moradoras por muito tempo da Paissandú. Para relembrar, Tania , Olenca - que casou com o Sergio Cohen, também morador do Partenon -, e Maslova eram três irmãs com quem muito convivi. Dona Lorlai era a mãe e tinha uma avó, que também morava com elas e infelizmente não estou recordando o nome. Moravam quase em frente da residência do nosso querido e não mais presente Bruno.
Nesta pequena retrospectiva que estou fazendo em razão do COPA e deste reencontro, não posso deixar de aqui referir o quanto o meu querido irmão Antonio, que lastimavelmente tão cedo nos deixou, ficaria feliz e entusiamado com esta confraternização, ele que foi um dos "sócios fundadores" entre outros amigos dessa idéia social, e era uma pessoa muito comunicatival, alegre e integradora.
Asim, embora não tenha convivido diretamente com muitos dos integrantes do COPA, me relacionei através dos meus irmão e irmãs, pois na realidade éramos cinco, e meu pai gostava muito que os amigos frequentassem a nossa casa.
Estas são as minhas primeiras impressoões, desencadeadas por teu amável telefonema, e que eu gostaria de que nossos amigos de 50 anos também participassem, tal como no nosso passado sabíamos uns dos outros.
Um abraço carinhoso para ti , Selene e aos demais integrantes do Blog da família Copa.

Autor: ANA MARIA LANDELL DE MOURA.

sábado, 12 de junho de 2010

A TRIBO DA TOBIAS DE CIMA - PARTE 1

Há cinqüenta anos, duas tribos habitavam a Rua Tobias Barreto: a "Tobias de Cima" e a "Tobias de Baixo". A fronteira entre as duas era uma linha imaginária que cortava mais ou menos ao meio a Praça Esperanto, que todo mundo chamava mesmo de pracinha. Afirmam alguns antropólogos haver existido ali também uma terceira tribo, a "Tobias do Meio", cujo território abrangia o entorno da pracinha e se estendia ao longo da Rua Martin Bromberg, até os limites da Paissandu. Por se tratar de matéria altamente controvertida, prefiro considerar essa população como integrante da "Tobias de Baixo".
Mesmo tendo vida autônoma, as duas tribos mantinham boas relações, já que os de cima eram frequentemente obrigados a transitar pelo território dos de baixo em seus deslocamentos diários entre seu território e a Avenida Bento Gonçalves, a grande artéria que unia o arrabalde Partenon ao resto do mundo. A pracinha, que tinha dois tanques de água, gangorras e balanços, era limpa e às vezes freqüentada por nós, membros da tribo de cima, embora pudéssemos ser mais facilmente localizados no trecho da rua que ficava situado entre a casa do seu Patta e a do seu Carpes.
O centro de nossa taba era o terreno baldio confinado entre as casas do doutor Guido e a do seu Carlos e da dona Mariazinha. Ali o doutor Guido, italiano grande e calvo, engenheiro ou construtor ― as profissões dos adultos não eram objeto do interesse dos membros da tribo ― construíra um galpão que lhe servia de oficina. A única coisa que sei dele é que era casado com uma ex-cantora lírica italiana, que fez do teto de sua casa um heliponto (isso na década de 1940!) por acreditar que o helicóptero seria o transporte do futuro, que não tinha filhos, que fazia balas de funcho para distribuir entre nós e que morreu subitamente do coração, ao mergulhar numa banheira gelada num dia de intenso calor.
Desmanchado o galpão após a morte do doutor Guido, ficamos donos do terreno. Nossas peladas, antes jogadas com bolas de meia no áspero “gramado” de paralelepípedo da rua, tendo as garagens de portas metálicas por goleiras, agora passaram a ser disputadas em campo decente. A bem da verdade, o tal terreno não era nivelado nem plano. Tinha desníveis, cocurutos, macegas e restos do tal galpão, porém não tinha meio-fio nem paralelepípedo. Jogávamos agora com bola de verdade, e as garagens de nossos pais e os ouvidos da vizinhança eram poupados das freqüentes boladas. Os goleiros eram frangueiros, porque ninguém queria ficar no gol. Quem se revelasse bom “guarda-vala”, passava o jogo todo só levando bolada.
Eram membros permanentes da tribo da "Tobias de Cima": Fernando e Cota Patta, Zenaide Falcão, Dirce Viggevani, Nei e Nelson Azambuja, Carlos Ari e Antonio Carlos Germano da Silva, Antonio Celso Queiroz Prestes, Jane e Jorge Crivelaro, Sohel e Helso Weber de Oliveira, Dilnei, Silnei e Marle Moraes Carpes. Lembro de alguns membros temporários, como Zé Macaco, que participava das peladas de rua; do mais moço dos Pfeiffer (infelizmente não recordo seu primeiro nome), em cuja garagem jogávamos ping-pong; do Juca, que morou na casa geminada com a do Nei e do Nelson; do Pedro, que morou na casa que tinha sido dos Crivelaro. Minhas irmãs Marília e Graça e a irmã mais nova do Dilnei, Marilei Siglia, por serem muito novas estavam numa posição correspondente à categoria “infantis” de um clube de futebol. Nós outros, é claro, éramos “os profissionais”.
Feita a apresentação da “Tribo da Tobias de Cima”, encerro por hoje. Um abraço a todos e até a próxima mini-crônica.

Autor: Carlos Ari

sexta-feira, 11 de junho de 2010

CARO NELSON

Lembrando das conversas que eu e Queca tínhamos com tua mãe, dona Mariazinha, não posso deixar de registrar como era gostoso vê-la tricotar. Era a Rainha do Tricô. Como eu, vizinha de lado, a incomodava para aprender o acabamento tão perfeitos que ela dava às suas peças, querendo reproduzir nas roupinhas de boneca!
Era gostoso brincar de “pegar” e de “esconder” no pátio da Queca, pulando literalmente de árvore para esconderijo e assim por diante, muitas vezes espalhando as folhas de outono, que seu Gabriel recomeçava a juntar pacientemente. Depois, corríamos para comer os bolinhos de queijo da dona Maria, mãe da Queca.
Tínhamos nossas árvores privativas, onde às vezes deixávamos bilhetinhos com os nomes ou só as iniciais dos paqueras. E os álbuns de amigos, que delícia! Surpresa e às vezes decepção, quando os meninos revelavam sua preferência por outra...
Troca de gibis no Cinema Brasil em sessões duplas, com intervalo para comprar balas “quebra-queixo”, “americanas” ou “gasosas”. Quem não lembra?
Nas festas de São João da Paissandu (não lembro se havia na Tobias Barreto) imensas fogueiras eram armadas pelo Tiziano, Arturito, nosso pai, Dr. Aimoré, pai da Neni e do Déco, e outros vizinhos. O quarteirão era fechado, isolado com cavaletes e tudo, e nós nos revezávamos em longas rodas e dança e quadrilhas, às vezes a caráter, com as mães servindo pipoca, amendoim, pinhão, queijadinha nos portões das casas, como se fossem barracas de uma feira.
Havia solidariedade entre vizinhos. Dr. Tapir, irmão do Aymoré, era médico de todas as emergências e nunca faltava a um chamado, mesmo durante a noite, inclusive de nossos vizinhos menos aquinhoados do morro, que começava a ser tomado por barracos. Vó Aurora ajudava quem batesse à porta, e muitas vezes o Arturito foi o transporte alternativo de quem não podia chamar “auto-de-praça”. Ninguém passava um sufoco sem que aparecesse uma visita com um bolo, um chazinho, um papo amigo. Lembro até de um incêndio por explosão de botijão de gás na casa onde havia morado a Nora Machi, quase em frente da nossa. Eram vizinhos novos, quase desconhecidos. Todos foram ajudar – uns retiravam os familiares, que instantaneamente eram atendidos pelo Dr. Tapir, abrigados e transportados pelos vizinhos para o HPS; outros retiravam móveis e o que mais fosse possível salvar, para diminuir as perdas.
As competições de ping-pong eram outra fonte de diversão, com escalas marcadas no quadro-negro e direito a torcida, nas garagens no fundo da casa da dinda Dalva, mãe do Jorge e do Nelson Leães. Às vezes, as partidas só acabavam com as chamadas desesperadas das genitoras, cansadas de requentar o jantar.
Por falar em Jorge Leães, filho da minha madrinha Dalva, que morava em frente à casa da Queca e do Athos, lá vai mais uma história dos namoros e casamentos da rua Paissandu, como contou o mano do Carlos Ari. O Jorge foi namorado da Marília, irmã do Carlos Ari, do Tonico e da Graça, mas acabou casando com a Neni, com quem teve duas filhas, uma das quais, a Roberta, foi por uns tempos namorada de meu caçula Roberto, sacaram?
Tonico casou com a Queca e tiveram a Gabriela, um amor de menina, publicitária, mãe da Maria Luiza. Claro que Queca, Lia e eu continuamos amigas de toda a vida e a consideramos mais uma das irmãs Ulrich, assim como consideramos a querida Vercy (Boeira), companheira do Roberto, viúvo de nossa irmã Rosely.
O tempo passou. Eu me separei do primeiro marido, pai de meus três filhos, e um belo dia encontro o Carlos Ari, também separado. Nunca mais nos deixamos. Casamos “de papel passado” tempos depois, tendo por padrinhos nossos seis filhos.
O tempo passou mais um pouco e, para nossa surpresa, Tonico, já separado pela segunda vez, nos apresenta sua nova parceira que, como ele diz, espera que seja a última, e que não é outra senão a Neni, irmã do Déco, filha de Aymoré e Anita! Considerando que a Gabriela é filha de Tonico e Queca e sobrinha do Carlos Ari, ganhei como sobrinha a filha de minha melhor amiga que também é enteada de outra grande amiga de infância! O resto conto outra vez, pois a coisa já vai longe e não quero monopolizar o espaço.

Que bom, Nelson, que vocês desataram este fio de nossas lembranças remotas, porém tão vivas!

Autor: Lenora Ulrich

terça-feira, 27 de abril de 2010

COPA 50 ANOS

A provocação do Nelson fez reviver o cenário de nossa infância e adolescência, fez as velhas árvores voltarem a florescer, as casas antigas rejuvenescerem, o ar ficar mais leve e o céu mais claro; as noites, antes lúgubres e vazias, voltarem a se encher da algazarra de vozes infantis, do clarão de fogueiras de São João, de cantigas de roda e do ruído de mil correrias de crianças, de vozes de mães chamando pelos filhos, anunciando o toque de recolher. Naqueles tempos, há cinqüenta anos, Paissandu e Tobias Barreto eram refúgios protegidos contra todos os males do mundo, que ficava longe, muito longe, lá no centro da cidade, aonde íamos de bonde ou à vezes de lotação, espremidos num velho Lincoln 1951, entre mais nove passageiros.

Nelson nos trouxe de volta as chaminés em forma de galo e as fumaças dos fogões à lenha, as peladas nos terrenos baldios, as bolitas, os piões, os campeonatos de times de botão, as coleções de figurinhas e de bandeirinhas dos pirulitos Kibon, as matines do Cinema Brasil, as guloseimas do seu Roberto e da Petisqueira, as balas de funcho do Dr. Guido, o bonde gaiola, os brinquedos da Ferragem Simões, os carnavais da Bento Gonçalves e tantas outras coisas que eu pensei haver perdido para sempre quando parti para Barbacena numa manhã de janeiro de 1962, com destino à Escola Preparatória de Cadetes do Ar, perseguindo o sonho de ser aviador, mas que me foram restituídas, como num passe de mágica, por um telefonema do Nelson, cinqüenta anos mais tarde.
Autor: Carlos Ari.

LENORA MARIA SILVA ULRICH - APRESENTAÇÃO PESSOAL

Nasci a 3 de novembro de 1950. Morei na Paissandu 523 desde então até 1971, ano em que casei pela primeira vez. Formei-me em Arquitetura e Urbanismo pela UFRGS em 1973. Trabalhei durante 15 anos no SENAC. Concomitantemente, participei da criação da Federação Nacional dos Arquitetos do Brasil e da fundação do Partido dos Trabalhadores. Na gestão de Olívio Dutra como prefeito de Porto Alegre fui subsecretária da SMOV; na de Tarso Genro, fui Diretora do DEP, e na de Raul Pont fui Assessora de Engenharia e Urbanismo do prefeito. Como suplente de vereadora, por diversas vezes tive a oportunidade de assumir a vereança. Retirei-me da vida pública por motivo de saúde, esgotada fisicamente pelo acúmulo de encargos no trabalho e no lar. Na Praia do Rosa tenho me dedicado às artes plásticas, além da jardinagem. Pretendo voltar à literatura e à poesia, gênero em que tenho dois livros publicados.
Autor: Lenora Ulrich.